Quatro pessoas são resgatadas de trabalho análogo à escravidão em colheita de frutas em Boa Vista
Trabalhadores resgatados em Roraima não tinham espaço adequado para o preparo de alimentos e sem banheiros. MPT/Divulgação Quatro trabalhadores foram resgat...
Trabalhadores resgatados em Roraima não tinham espaço adequado para o preparo de alimentos e sem banheiros. MPT/Divulgação Quatro trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em propriedades ruais de Boa Vista. Eles atuavam no cultivo e na colheita de frutas. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (26) pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Entre os resgatados estão um maranhense, dois indígenas do povo Wapichana e um migrante da Guiana. Os resgates ocorreram entre os dias 9 e 20 de março de 2026, em quatro propriedades rurais. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Um dos casos envolve um adolescente de 17 anos, encontrado em "uma das piores formas de trabalho infantil", segundo o MPT. De acordo com o órgão, ele trabalhava sem proteção, sem direitos e em condições inadequadas. Durante a ação, as equipes constataram que o alojamento em que as vítimas ficavam funcionava em uma construção inacabada, sem separação para descanso, sem espaço para preparo de alimentos e sem banheiros. Parte dos trabalhadores usava uma cabana improvisada como banheiro. Outros faziam as necessidades em áreas de mata. Não havia papel higiênico nem itens básicos de higiene. Um laudo técnico apontou ainda que a água disponível para o consumo deles era imprópria. Governo resgata mais de 2,7 mil pessoas do trabalho escravo em 2025 LEIA TAMBÉM: Trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão dividiam comida com animais para mantê-los vivos em MG Idoso é encontrado em situação análoga à escravidão em RR e polícia descobre que ele é foragido por extorsão no MT Os trabalhadores atuavam no cultivo e na colheita de açaí, mamão e banana sem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). As equipes identificaram que eles não recebiam treinamento para trabalho em altura nem tinham equipamentos de segurança para subir nas árvores. Todas as vítimas foram retiradas das propriedades e receberam verbas rescisórias e indenizações por danos morais. Eles também terão direito a três parcelas do seguro-desemprego. O empregador assinou um Termo de Ajustamento de Conduta com o MPT e a Defensoria Pública da União. Ele se comprometeu a pagar o retorno dos trabalhadores às cidades de origem, indenização por danos morais coletivos e a adequar os alojamentos e as condições de trabalho em até 60 dias. O acordo também proíbe a repetição das irregularidades, sob pena de multa. A ação foi realizada pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM). Participaram o Ministério Público do Trabalho (MPT), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a Polícia Federal (PF) e a Defensoria Pública da União (DPU). Quarto e cozinha improvisados em alojamento em que trabalhadores ficavam em Boa Vista (RR). MPT/Divulgação Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.