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Por que saída de Denarium não impediu cassação do governador de Roraima pelo TSE

TSE determina que Roraima faça nova eleição direta pra governador A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que cassou o mandato do governador de Rorai...

Por que saída de Denarium não impediu cassação do governador de Roraima pelo TSE
Por que saída de Denarium não impediu cassação do governador de Roraima pelo TSE (Foto: Reprodução)

TSE determina que Roraima faça nova eleição direta pra governador A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que cassou o mandato do governador de Roraima, Edilson Damião (União Brasil), teve como um dos principais fundamentos o entendimento de que os efeitos do abuso de poder reconhecido na eleição de 2022 comprometeu toda a chapa eleita —governador e vice-governador. Damião era vice de Antonio Denarium na chapa eleita em 2022 e assumiu o cargo de governador há um mês, após o antecessor renunciar para concorrer ao Senado. Mesmo com a saída de Denarium, seis dos sete ministros do TSE entenderam que os votos foram destinados à chapa, e não apenas ao titular. Esse entendimento teve como base o princípio da unicidade — ou indivisibilidade — da chapa, que prevê que governador e vice são eleitos em conjunto e eventual abuso capaz de comprometer a legitimidade do pleito pode atingir ambos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp No voto que formou maioria pela cassação de Damião, o ministro Antonio Carlos Ferreira destacou que a eleição dele foi diretamente ligada à candidatura de Denarium. Ele citou que a jurisprudência do TSE estabelece que, quando uma chapa é beneficiada por abuso de poder, a cassação deve atingir tanto o titular quanto o vice. "Damião só foi eleito vice-governador em 2022 porque compunha a chapa encabeçada por Antonio Denarium. Conforme ficou demonstrado nos autos, não teria chegado ao poder sem os abusos de poder político e econômico praticados em seu favor. Sua eleição está, portanto, umbilicalmente vinculada aos ilícitos que comprometem a legitimidade do conjunto do resultado eleitoral", frisou. Edilson Damião (à esquerda) era vice e assumiu governo de Roraima após Denarium renuciar; ambos concorreram e foram eleitos em 2022 Reprodução/Facebook Os demais ministros também seguiram o entendimento: Estela Aranha, Floriano de Azevedo Marques, Cármen Lúcia, além de André Mendonça e da então relatora Isabel Gallotti. Apenas o ministro Nunes Marques foi contra cassar Damião. "É de se considerar que se o titular (Denarium) obteve benefício com essa conduta, aferindo os votos de um pleito, não há como afastar o benefício do vice (Damião) [...] em razão da unicidade de chapa, prevista no Código Eleitoral", destacou a ministra Estela Aranha. Com o mandato cassado, Damião deixou o cargo e Roraima terá eleições suplementares, por decisão do TSE. O trâmite do pleito é de responsabilidade do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que ainda não definiu as datas. Enquanto isso, o deputado estadual Soldado Sampaio (Republicanos) fica como governador interino. Governador de Roraima, Edilson Damião (União Brasil), foi cassado pelo TSE Reprodução/Instagram Resultado da cassação de Damião A decisão de cassar Damião e tornar Denarium inelegível ocorreu no dia 28 de abril. No entanto, a proclamação do resultado — ato formal em que o tribunal anuncia oficialmente a decisão do julgamento — foi dada quinta-feira (30). Como o resultado oficialmente proclamado pela Corte, Damião saiu do cargo e Sampaio assumiu o governo. Os ministros determinaram a realização de eleições diretas, ou seja, quando a população vai às urnas para escolher um representante. Ex-governador inelegível Ex-governador de Roraima, Antonio Denarium (Republicanos), está ineleível por 8 anos Ale-RR/Reprodução No mesmo julgamento que cassou Damião, Denarium foi declarado inelegível. Por unanimidade, os sete ministros da Corte votaram para que ele fique proibido de disputar eleições por oito anos - até 2034. Denarium e Damião responderam ao processo pelos crimes eleitorais de abuso de poder político e econômico, relacionados à distribuição de bens e serviços, com entrega de cestas básicas e benefícios; à reforma de residências de famílias de baixa renda; ao repasse de quase R$ 70 milhões em recursos do governo estadual para 12 dos 15 municípios, sem observância de critérios legais; e à extrapolação de gastos com publicidade. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.