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Justiça tenta pela 2ª vez retirar moradores de área em disputa com empresa no Mecejana, em Boa Vista

Justiça tenta cumprir decisão para retirar famílias de área em disputa no Mecejana A Justiça tenta, pela segunda vez, retirar moradores de uma área em dis...

Justiça tenta pela 2ª vez retirar moradores de área em disputa com empresa no Mecejana, em Boa Vista
Justiça tenta pela 2ª vez retirar moradores de área em disputa com empresa no Mecejana, em Boa Vista (Foto: Reprodução)

Justiça tenta cumprir decisão para retirar famílias de área em disputa no Mecejana A Justiça tenta, pela segunda vez, retirar moradores de uma área em disputa com a Frangonorte no bairro Mecejana, em Boa Vista. A nova tentativa ocorre nesta quarta-feira (4) com a presença de oficial de Justiça, representantes da empresa e policiais militares. Entre 15 e 20 famílias vivem no local. Na ação, chamada de imissão de posse, meio usado quando o proprietário busca assumir o imóvel pela primeira vez, a Frangonorte afirma ser proprietária de uma área de 37 mil metros quadrados, atrás de um hotel na avenida Glaycon de Paiva. Nesta terça (3), houve uma tentativa de retirar os moradores. Antes da chegada da polícia e do oficial de Justiça nesta manhã, alguns moradores retiraram móveis de dentro das casas e colocaram expostos do lado de fora. Alguns, começaram a deixar a área. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp A Rede Amazônica apurou no local que os moradores não questionam a decisão de despejo, embora não concordem com ela, e pedem mais tempo para deixar as casas e se organizar em outra área. A saída ocorre por ordem judicial em um processo que tramita há pelo menos duas décadas, movido pela Frangonorte, e prevê a retirada de famílias que vivem em ao menos cinco casas construídas no local. Ação pela 2ª vez Na ação desta quarta há um oficial de Justiça e policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), que tentam cumprir a ordem de despejo. A área em disputa tem casas construídas e estruturadas em terrenos com plantações. Representantes da empresa Frangonorte acompanham a ação desta quarta e enviaram funcionários para derrubar, com o uso de marretas, algumas cercas de madeiras de alguns imóveis. Decisão favorece empresa e manda retirar famílias de área em disputa no bairro Mecejana Noite de 'tormento' Um dos moradores que decidiu deixar a casa onde vive desde 2012 foi o aposentado Roberto Conte Maciel, conhecido como seu Alberto, de 76 anos. Ele retirou os móveis do imóvel e informou que alugou uma casa em outro bairro. Sobre a noite após a notificação, afirmou que foi de "tormento". "A única coisa que a gente tem na vida é a vida dada por Deus e uma casa para morar. Quando tiram o teu teto, como você vai se sentir?", questionou. Representante da Frangonorte, Mário Menezes esteve no local e disse que, inicialmente, a ideia é resolver a questão de maneira pacífica, sem demolição de casas. "Saiu a sentença de transitado em julgado e o dever de cumprir essa sentença da emissão de posse. E está acontecendo agora, infelizmente", disse, acrescentando que a ideia sempre foi fazer conciliação da área, o que não ocorreu e agora a medida terá de ser cumprida. O impasse no cumprimento da decisão que favorece a Frangonorte ocorre desde esta terça (3), quando o oficial de Justiça, representantes da empresa e a Polícia Militar esteve no local, mas saíram à tarde sem demolir imóveis e retirar ninguém. Durante a primeira tentativa, moradores estacionaram carros em frente às casas por medo de derrubadas. Disputa na Justiça De acordo com os moradores, o processo judicial foi iniciado em 2012, quando o dono da empresa se apresentou como proprietário da área. A empresa, segundo eles, nunca ofereceu um acordo de indenização ou permanência. O processo tramita na 3ª Vara Cível. Em meio à disputa, a Defensoria Pública de Roraima acionou a Justiça para garantir a permanência de seis famílias que vivem na área há pelo menos 15 anos. Em dezembro de 2025, uma decisão autorizou que elas continuassem no local. Por isso, a medida cumprida nesta terça-feira não deve atingi-las. É o caso da estudante Daiane Rodrigues Garcia, de 22 anos, mora na área desde os três meses de vida. "A gente fica com medo, tipo, de amanhã chegar e sair uma decisão a gente vai para onde? A gente fica com medo porque não tem para onde ir. A gente ficou até se tremendo assim, com medo, porque foi praticamente a mesma coisa que aconteceu [com a mãe]", disse. Ela contou ao g1 que viveu situação semelhante em 2019, quando a casa da mãe, que ficava no terreno, foi derrubada. Atualmente, a jovem mora no local com o irmão, a cunhada, a filha e as sobrinhas. Veja fotos do local Uma ação judicial cumpre uma ordem de despejo nesta terça-feira (3) na avenida Glaycon de Paiva. João Gabriel Leitão/g1 RR Móveis são retirados de casa após ação de imissão na posse em Boa Vista (RR). Yara Ramalho/g1 RR Uma ação judicial cumpre uma ordem de despejo nesta terça-feira (3) na avenida Glaycon de Paiva. João Gabriel Leitão/g1 RR A estudante Daiane Rodrigues Garcia, de 22 anos (à direita), é moradora do local desde que nasceu. Yara Ramalho/g1 RR Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.