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Justiça afasta delegado alvo de quase 50 ações por abuso de poder e ameaça contra mulher em RR

Delegado da Polícia Civil de Roraima, Alexandre Henrique de Matos Lima, é alvo de representação do Ministério Público. Reprodução/Facebook A Justiça de...

Justiça afasta delegado alvo de quase 50 ações por abuso de poder e ameaça contra mulher em RR
Justiça afasta delegado alvo de quase 50 ações por abuso de poder e ameaça contra mulher em RR (Foto: Reprodução)

Delegado da Polícia Civil de Roraima, Alexandre Henrique de Matos Lima, é alvo de representação do Ministério Público. Reprodução/Facebook A Justiça de Roraima determinou o afastamento do delegado da Polícia Civil Alexandre Henrique de Matos Lima, de 50 anos. A decisão, que o g1 teve acesso nesta quarta-feira (23), também determinou o bloqueio do acesso aos sistemas de segurança pública, o recolhimento da arma e da carteira funcional dele. Ele é investigado em quase 50 ações por abuso de poder e ameaça contra mulher. A Justiça de Roraima determinou o afastamento do delegado da Polícia Civil Alexandre Henrique de Matos Lima, de 50 anos, neste domingo (20). A decisão também suspende o porte de arma e o bloqueio de acessos aos sistemas de segurança pública. O delegado é investigado pelos crimes de abuso de autoridade, ameaça, constrangimento ilegal, injúria e violência contra a mulher. Segundo o Ministério Público de Roraima (MPRR), ele apresenta um padrão de agressividade contra mulheres. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp O g1 procurou o delegado e e questionou da Polícia Civil se decisão de afastá-lo havia sido cumprida, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. O MP denunciou o delegado e solicitou ao Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) medidas cautelares. Inicialmente, o órgão rejeitou o pedido, mas, pós o recurso, o desembargador Alessandro Tramujas Assad, da 3.ª Vara Criminal, aceitou o recurso. "Considerando que o objeto do recurso versa sobre a necessidade de neutralizar riscos concretos e iminentes à instrução probatória e à integridade das vítimas mediante o afastamento de autoridade policial, a notificação prévia do recorrido comprometeria a eficácia do provimento acautelatório buscado", cita trecho da decisão. Ao analisar o caso, o desembargador aceitou o pedido sem ouvir previamente a defesa por considerar que a notificação antecipada poderia comprometer a coleta de provas e a proteção das vítimas. A justiça também decidiu que Alexandre está proibido de entrar em unidades da Polícia Civil e ter contato com vítimas e testemunhas. Relembre o caso O delegado é alvo de quase 50 procedimentos disciplinares e criminais e de uma ação em que o MP pede o seu afastamento por apresentar um padrão de agressividade contra mulheres e "misoginia institucionalizada". "Paralelamente, tramita um Processo Administrativo Disciplinar, procedimento destinado a apurar eventual responsabilidade funcional no âmbito administrativo, assegurados o contraditório e a ampla defesa", ressaltou. De acordo com a nova denúncia, o caso no hotel ocorreu no dia 16 de junho deste ano. O delegado acionou a corporação e cerca de dez policiais militares foram deslocados ao estabelecimento. O hóspede autorizou a entrada e as buscas no quarto, mas nenhuma arma, munição ou objeto ilícito foi encontrado. Uma testemunha no local também negou a suposta ameaça denunciada pelo delegado. Segundo o MP, Alexandre utilizou a função pública para dar início à prisão da vítima sem justa causa, pois informou aos policiais que havia dado voz de prisão ao hóspede. A promotora de Justiça Lara Von Held sustenta que o episódio do hotel não é isolado e aponta a existência de outros procedimentos que envolvem o denunciado. Analisados em conjunto, os fatos indicam um quadro estrutural e reiterado de abuso de autoridade, misoginia e utilização do cargo para intimidação. Parte das ações contra Alexandre Matos terminou com arquivamento ou absolvição na esfera administrativa, o que reforça a reiteração de condutas ao longo de mais de duas décadas. O histórico demonstra que não houve até então a adoção de medida cautelar de afastamento do cargo. A promotoria também pediu a suspensão do porte de arma, o recolhimento do armamento e da carteira funcional, o bloqueio de acesso aos sistemas eletrônicos de segurança, a proibição de contato com as vítimas e de acesso às unidades policiais, e o comparecimento mensal em juízo. Histórico de misoginia Em uma ação anterior que também pediu o afastamento das funções, o órgão cita que alguns dos episódios envolvendo o delegado revelam uma conduta reiterada de ofensas, intimidações e uso da posição funcional especificamente contra mulheres. Segundo o MP, a representação enumera situações sobre mulheres e cita uma agente da Polícia Civil, duas funcionárias de um condomínio e a própria esposa do delegado, que possui uma medida protetiva de urgência contra ele. "Os fatos deixam de configurar episódios avulsos e passam a compor um quadro estrutural e reiterado de abuso de autoridade, misoginia institucionalizada e utilização do cargo e do aparato policial como instrumento de intimidação", citava trecho do documento que o g1 teve acesso em julho deste ano. LEIA TAMBÉM: Delegado é alvo de quase 50 ações por abuso de poder e ameaça contra mulher em RR MP cita padrão de agressividade contra mulheres em delegado alvo de ações em RR MP denuncia delegado alvo de quase 50 ações por abuso de poder e ameaça contra mulher em RR 'Mandar prender essa vagabunda' Outro caso citado pelo MP ocorreu em julho de 2025, dentro da Delegacia-Geral da Polícia Civil. Conforme a ação, uma agente pediu que o delegado retirasse o carro particular de uma vaga destinada a viaturas. O documento afirma que ele questionou a abordagem da policial, que era recém-ingressa na instituição, e teria dito a outro servidor que iria "mandar prender essa vagabunda". Essa reação, segundo o MP, demonstrou tentativa de desqualificar a servidora em razão da posição que ela ocupava na corporação. Outro episódio ocorreu em junho de 2026, em um condomínio de Boa Vista. Duas funcionárias orientaram o delegado sobre regras internas do prédio e o MP afirma que ele ofendeu as trabalhadoras com termos como “vagabunda” e “filha da puta”. Ele também tomou o telefone de uma delas quando ela tentava acionar o síndico. O documento cita também que o delegado dizia possuir fuzis no veículo, o que causou medo nas funcionárias. A postura dele teria mudado apenas após o subsíndico se apresentar como general do Exército. De acordo com o MP, essa diferença de comportamento reforça a tese de que a agressividade era direcionada principalmente a mulheres em posições consideradas inferiores na hierarquia profissional ou social. "Essa repetição do mesmo padrão de deferência seletiva a homens hierarquicamente valorizados, em contraposição à agressividade sistemática contra mulheres em posição de trabalho subalterna", citou trecho da representação. Além desses episódios, o Ministério Público cita o caso de violência doméstica envolvendo a esposa do delegado, que resultou na concessão de medida protetiva de urgência. Procedimentos disciplinares O MPRR defende que a permanência do delegado no cargo representa risco às vítimas e testemunhas, considerando o histórico de procedimentos atribuídos a ele desde 2005. Conforme a Corregedoria-Geral de Polícia Civil, ele responde ou respondeu a pelo menos 47 procedimentos disciplinares e criminais, como processos administrativos, sindicâncias, termos circunstanciados e inquéritos. Um dos casos citados ocorreu em 2007, envolvendo suspeita de abuso de autoridade, ameaça e extorsão de R$ 10 mil para liberar um preso. A representação também informa que ele respondeu a 11 termos circunstanciados, registrados em junho de 2013, por injúria e ameaça contra diferentes vítimas. Em 2015, o delegado foi alvo de uma sindicância por suspeita de abuso de autoridade contra um migrante venezuelano em uma fazenda no Norte de Roraima, onde teria se apresentado como corregedor de polícia. Veja o motivo do MP pedir afastamento: Delegado da Polícia Civil é alvo de quase 50 ações por abuso de poder e ameaça Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.