'Deu a famosa carteirada', diz protetor de animais que acusa major da PM de mandar prendê-lo em Boa Vista
Protetor de animais é preso e acusa Major da PM de ameaças por alimentar gatos de rua O protetor de animais Társis Araújo Magalhães Ramos, de 43 anos, afir...
Protetor de animais é preso e acusa Major da PM de ameaças por alimentar gatos de rua O protetor de animais Társis Araújo Magalhães Ramos, de 43 anos, afirmou que a major da Polícia Militar Dyanna Vieira de Oliveira usou a patente para acionar os colegas de farda e mandar prendê-lo em Boa Vista. Ele afirma que a oficial o ameaçou por alimentar gatos em situação de rua no bairro Cinturão Verde, zona Oeste da capital. Procurada pelo g1, Dyanna informou que que deve apresentar a própria versão "tão logo seja possível". Társis, que também é professor do curso superior de Letras no Instituto Federal de Roraima (IFRR), foi preso na noite do dia 9 de julho após colocar comida para os animais e a major acionar a PM. Na delegacia ele deu depoimento na condição de infrator e foi liberado. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Társis relatou parte do que, segundo ele, ocorreu durante a abordagem e a atuação da major. De acordo com ele, a major o persegue desde o ano passado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp No registro da ocorrência que resultou na prisão de Társis, o sargento que comandava a equipe da PM apontou a major como vítima e Társis como infrator. O caso foi registrado pelos crimes de ameaça, desobediência e pela contravenção penal de perturbação do sossego. A major não estava de serviço. "Mas, ontem [9 de julho], ela passou dos limites. Deu a famosa carteirada. Ela começou a me ameaçar e a dizer que era major. Falei pra ela que não me importava se ela era major, se ela era da Polícia Militar, que eu ia continuar dando comida pros animais porque a rua era pública", afirmou. Protetor de animais acusa major da PM de mandar prendê-lo por alimentar gatos de rua Na delegacia, segundo Társis, a major deu ordem para que o sargento da ocorrência o colocasse no camburão da viatura. O vídeo gravado por ele foi de dentro do camburão. "Quando cheguei na delegacia, escoltado no carro da polícia, o sargento foi chamado por ela, pela major Dyanna. Ela não estava de farda e vi ela dizendo que era para ele me colocar no camburão", disse, acrescentando que "ele [sargento] obedeceu ela porque a patente era menor. Ele foi bastante ríspido comigo. Disse que ele que não podia fazer isso, que não havia necessidade, mas como eles queriam me intimidar, ele obedeceu", detalhou. Procurada, Dyanna disse ao g1 que "no momento oportuno, e tão logo seja possível, apresentarei minha versão completa dos acontecimentos, com a serenidade e os esclarecimentos necessários, permitindo que a população tenha acesso aos fatos de forma íntegra e contextualizada. Reafirmo minha confiança de que a verdade será devidamente esclarecida pelas vias legais". Major Dyanna de Oliveira e o protetor de animais Tarsis de Araújo dentro do camburão Reprodução/Redes sociais e arquivo pessoal Em nota, a PM informou que "as circunstâncias dos fatos estão sendo levantadas para a devida análise". Destacou ainda que "a policial militar mencionada não se encontrava em serviço no momento dos fatos, razão pela qual o episódio não decorreu, em princípio, de atuação institucional da Corporação." Em um trecho do vídeo divulgado nas redes sociais, Társis registra uma discussão com a major. Durante a gravação, ele diz: "Ela se acha autoridade", e Dyanna rebate: "Eu acho não, eu sou". Társis é vizinho de bairro da major. Ele afirma que alimenta os gatos da rua há cerca de 15 anos, desde que também morava nessa rua. Segundo o protetor de animais, a ração costuma ser colocada na calçada da casa de uma vizinha da major, que teria autorizado. Ele registrou um boletim de ocorrência por ameaça contra a major e filho dela neste sábado (11). A Polícia Civil informou que registrou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) contra Társis pelos crimes de ameaça e desobediência, além da contravenção de perturbação do sossego. O procedimento, usado para casos de menor potencial ofensivo, foi encaminhado ao Poder Judiciário, que vai analisar o caso. Sobre o boletim de ocorrência registrado por ele contra a major, a Polícia Civil não informou como será conduzida a denúncia. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.