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Decisão favorece empresa e manda retirar famílias de área em disputa no bairro Mecejana, em Boa Vista

Uma ação judicial cumpre uma ordem de despejo nesta terça-feira (3) na avenida Glaycon de Paiva. João Gabriel Leitão/g1 RR A Justiça cumpre, nesta terça-...

Decisão favorece empresa e manda retirar famílias de área em disputa no bairro Mecejana, em Boa Vista
Decisão favorece empresa e manda retirar famílias de área em disputa no bairro Mecejana, em Boa Vista (Foto: Reprodução)

Uma ação judicial cumpre uma ordem de despejo nesta terça-feira (3) na avenida Glaycon de Paiva. João Gabriel Leitão/g1 RR A Justiça cumpre, nesta terça-feira (3), uma decisão que garante à empresa Frangonorte o direito de assumir uma área em disputa no bairro Mecejana, zona Sul de Boa Vista. A medida prevê a saída de famílias que moram em ao menos cinco casas construídas no local. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Na ação, chamada de imissão de posse, instrumento usado quando o proprietário busca assumir o imóvel pela primeira vez, a Frangonorte afirma ser proprietária de uma área de 37 mil metros quadrados, atrás de um hotel na avenida Glaycon de Paiva. Por volta de 8h, uma equipe formada por um oficial de Justiça, representantes da Frangonorte e policiais militares da Companhia Independente de Policiamento Ambiental da Polícia Militar de Roraima (Cipa) chegaram no local, mas foram embora às 15h50 sem demolir nenhum imóvel. Com receio de terem casas derrubadas, moradores estacionaram carros na frente de alguns imóveis. No local, o clima era de insegurança e famílias temiam ter casas destruídas. Atualmente, entre 15 e 20 famílias vivem na área, incluindo adultos, idosos, grávidas, crianças e pessoas com deficiência. "Fomos pegos de surpresa, de manhã cedo, com uma ordem de despejo que não tivemos nem uma hora para desocupar. Eu tenho que colocar as coisas no meio do tempo, porque ele tem que passar com o trator por cima da minha casa", disse uma moradora, de 59 anos, que preferiu não se identificar. Para facilitar o acesso de tratores, tapumes de zinco que dividiam os imóveis foram derrubados pela equipe que tentava cumprir a ordem judicial. Uma ação judicial cumpre uma ordem de despejo nesta terça-feira (3) na avenida Glaycon de Paiva. João Gabriel Leitão/g1 RR A moradora, que preferiu não se identificar por medo de represálias, afirmou ao g1 que ela e os filhos foram surpreendidos pela ordem de despejo. Segundo ela, anteriormente o proprietário prometeu regularizar a situação das famílias por meio de usucapião. "E agora, depois de tudo isso, chega uma liminar da Frangonorte dizendo ser dona e com a ordem de despejo. Eles quiseram [que saíssemos] na hora, não tivemos nem uma hora. [Falaram que] Era botar as coisas no meio da rua porque eles vão passar com o trator. Não fomos intimados pelo juiz, nem nada", afirmou ela. Móveis são retirados de casa após ação de imissão na posse em Boa Vista (RR). Yara Ramalho/g1 RR O representante da Frangonorte no local informou que a empresa estava "apenas buscando o cumprimento da sentença transitada em julgado", referente ao processo, que tramita há mais de 20 anos. Alegou ainda que após uma "reunião tumultuada" em novembro de 2025, as negociações foram suspensas e a questão remetida ao Judiciário, que decidiu de forma favorável à empresa. A Frangonorte disse ainda que pretendia realizar o cumprimento da imissão de posse de forma "amigável e pacífica". Disputa na Justiça De acordo com os moradores, o processo judicial foi iniciado em 2012, quando o dono da empresa se apresentou como proprietário da área. A empresa, segundo eles, nunca ofereceu um acordo de indenização ou permanência. Uma ação judicial cumpre uma ordem de despejo nesta terça-feira (3) na avenida Glaycon de Paiva. João Gabriel Leitão/g1 RR O processo tramita na 3ª Vara Cível. Em meio à disputa, a Defensoria Pública de Roraima acionou a Justiça para garantir a permanência de seis famílias que vivem na área há pelo menos 15 anos. Em dezembro de 2025, uma decisão autorizou que elas continuassem no local. Por isso, a medida cumprida nesta terça-feira não deve atingi-las. É o caso da estudante Daiane Rodrigues Garcia, de 22 anos, mora na área desde os três meses de vida. "A gente fica com medo, tipo, de amanhã chegar e sair uma decisão a gente vai para onde? A gente fica com medo porque não tem para onde ir. A gente ficou até se tremendo assim, com medo, porque foi praticamente a mesma coisa que aconteceu [com a mãe]", disse. A estudante Daiane Rodrigues Garcia, de 22 anos (à direita), é moradora do local desde que nasceu. Yara Ramalho/g1 RR Ela contou ao g1 que viveu situação semelhante em 2019, quando a casa da mãe, que ficava no terreno, foi derrubada. Atualmente, a jovem mora no local com o irmão, a cunhada, a filha e as sobrinhas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.